REFLEXÃO SOBRE O RETORNO PRESENCIAL

 

Queridas famílias,

Está é uma carta de reflexão e acolhimento sobre o possível retorno presencial em setembro. Não há aqui um guia de ações práticas ou novas informações sobre o retorno. É um espaço para dividirmos o que temos pensado sobre o assunto, principalmente a partir de alguns pontos que vocês nos retornaram na pesquisa da semana passada.

Como todos sabem, existe uma previsão de volta às aulas no dia 8 de setembro, que deve ser confirmada ou não pelo governo até o dia 11 de agosto.

Entre os profissionais de ciência, que dizem que podemos voltar com todos os cuidados necessários, e as dificuldades naturais da faixa etária que atendemos, em especial na Educação Infantil e anos iniciais do Fundamental 1, entendemos que existem outras necessidades nem sempre tão visíveis.

De tudo que temos ouvido de vocês, aprendemos que nossa comunidade se divide entre os que têm certeza do retorno, os que decidiram que deixarão seus filhos em casa e uma maioria que ainda tem dúvidas, que prefere aguardar informações mais precisas.

Aprendemos também que, uma vez garantida a saúde, o reencontro é prioridade para as famílias, assim como é para nós. Porém, o que mais nos chamou a atenção na pesquisa foi a angústia sobre o retorno. A insegurança, os riscos, o receio de que as crianças sofram ao chegarem em uma escola cheia de novas regras.

É sobre isso que queremos conversar com vocês.

Começando pelas premissas que nos são mais importantes: a saúde e o encontro, tendo como foco o cuidado emocional dos alunos, famílias e equipe. Já sabemos que nem todas as crianças voltarão à escola quando reabrirmos presencialmente. Há aquelas que não podem porque estão ou têm alguém da família no grupo de risco. Há também famílias que decidiram não retornar enquanto não ocorrer a vacinação. Entendemos e acolhemos cada uma das escolhas. Também sabemos que nas semanas seguintes ao retorno, mudanças poderão acontecer nessa movimentação. A princípio, nas primeiras semanas, as aulas ocorrerão para todas as crianças de um mesmo grupo, remotamente, como tem acontecido desde abril. Presencialmente, estaremos focados no reencontro, na troca, no aprendizado das novas rotinas.

De qualquer forma, ainda que a escola garanta um sistema híbrido de ensino, estar presente na escola ou estar em casa será diferente. Não é tempo de competirmos, de pensarmos em uma corrida em que comparamos nossos alunos. Trata-se agora de encontrar modos compartilhados de ensinar a todos, cada um com as ferramentas as que melhor se adequarem, a partir das limitações que a vida e a pandemia impôs. Sem perder a ideia de grupo, sem abrir mão de aproximar quem estará na escola de quem não estará.

Ao longo do mês de agosto, comunicaremos nossas novas rotinas e protocolos. Enquanto isso, seguimos trabalhando internamente com a equipe, planejando as atividades nos espaços mais arejados da escola.

Neste momento, queríamos compartilhar algumas reflexões sobre o lado emocional do retorno.

As crianças, mesmo as menores, se adaptam muito facilmente a novos ambientes, tendo a referência de um adulto em quem elas confiam, com quem se sentem em segurança e por quem tem afeto. Queremos que as crianças tenham a consciência do que é necessário cuidar para viverem novamente entre os amigos, num ambiente não familiar, mas vital para seu desenvolvimento. Para isso, é preciso ter pouco medo e muita confiança. Iniciaremos esse trabalho, ainda antes do retorno, conectando as crianças com uma realidade escolar diferente da qual estão acostumadas. O uso de máscaras, o cuidado com os materiais e espaços, a presença de alguns, mas não de todos os amigos, entre outros aspectos, serão essenciais nas conversas preparatórias.

É uma situação isenta de riscos? Não, não é. Assim como sabemos que não é manter as crianças em casa, mais protegidas da doença, porém mais desprotegidas das relações sociais que as coloquem novamente no seu mundo. Onde fantasias se transformam em brincadeiras, onde o corpo pode se soltar e correr, onde a energia pode ser gasta com menos tensão.

Viver essa experiência será certamente enriquecedor para todos nós. Teremos que fazer isso com “acordos comunitários”, como diz Ilana Katz, psicóloga com quem temos bom contato. Em entrevista ao jornal O Estado de São Paulo, no domingo, 02 de agosto, Ilana comenta que “com acordos comunitários as famílias ficarão mais seguras porque vão compartilhar responsabilidades. Se todos combinarem que quem tiver sintomas não virá à escola, será um pacto e cada um vai confiar mais no outro. Sabemos que não estaremos 100% seguros, mas estaremos pactuados.” Não há dúvida de que a parceria responsável e transparente entre família e escola será fundamental para o sucesso desse retorno.

Queremos proporcionar um ótimo acolhimento, escutar as crianças, avaliar a aprendizagem e oferecer a elas e suas famílias o que existe de melhor: o desejo de viver uma infância feliz, curiosa, saudável e cheia de boas emoções e experiências.

Sabemos que o medo e a angústia são sentimentos presentes entre todos nós, em maior ou menor grau, mas nos mobilizamos para planejar o retorno e enfrentar o desafio. Sempre com a certeza de que temos uma rede de apoio. E quando o primeiro dia presencial chegar, estaremos prontos para repensar o que for necessário.

Com afeto,
A Direção e toda a equipe Carandá Vivavida